quarta-feira, 26 de maio de 2010

O Enigma da Graça

Não é bom para o homem o falar contra sua consciência!


"...Homens são raridades neste planeta de seres humanos adoecidos pelo vírus dos julgamentos e das presunções.A diferença entre um homem e um espécime humano , é que o primeiro fala por si mesmo ; o segundo , fala o que os demais desejam ouvir...

O auto-engano de um ser humano pode esconder-se sobre muitas máscaras.Ao final , todavia , mostrará a sua face : a inveja que se apresenta dissimulada pelas comparações.

Ao se aouto-enganar e se convencer de seu importantíssimo papel espiritual na vida do próximo , o ser humano deseja que até mesmo sua arrogância e impiedade sejam percebidos como demonstrações de amor! "



(página 109/capítulo V)

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Experiência

Para os que não conhecem este texto :

Em um processo de seleção da Volkswagen , os candidatos deveriam responder a seguinte pergunta : "Você tem experiência ?" A redação abaixo foi desenvolvida por um dos candidatos . Ele foi aprovado e seu texto está fazendo sucesso , e ele com certeza será sempre lembrado por sua criatividade , sua poesia , e acima de tudo por sua alma.





Já fiz cosquinha na minha irmã só pra ela parar de chorar , já me queimei brincando com vela.

Eu já fiz bola de chicletes e melequei todo o rosto , já conversei com o espelho , e até já brinquei de bruxo.

Já quis ser astronauta , violonista , mágico , caçador e trapezista.

Já me escondi atrás da cortina e esqueci os pés de fora.

Já tomei banho de chuva e acabei me viciando.

Já roubei beijo.Já confundi sentimentos.

Peguei atalho errado , e continuo andando pelo desconhecido.

Já raspei o fundo da panela de arroz carreteiro , já me cortei fazendo a barba apressado , já chorei ouvindo música no ônibus.

Já tentei esquecer algumas pessoas , mas descobri que essas são as mais difíceis de se esquecer.

Já subi escondido no telhado pra tentar pegar as estrelas , já subi em árvore pra roubar fruta , já caí da escada de bunda.

Já fiz juras eternas , já escrevi no muro da escola , já chorei sentado no chão do banheiro , já fugi de casa pra sempre e voltei no outro instante.

Já corri pra não deixar alguém chorando , já fiquei sozinho no meio de mil pessoas sentindo falta de uma só.

Já vi pôr-do-sol cor-de-rosa e alaranjado , já me joguei na piscina sem vontade de voltar , já bebi uísque até sentir dormentes os meus lábios , já olhei a cidade de cima e mesmo assim não encontrei meu lugar.

Já senti medo do escuro , já tremi de nervoso , já quase morri de amor , mas renasci novamente pra ver o sorriso de alguém especial.

Já acordei no meio da noite e fiquei com medo de levantar.

Já apostei em correr descalço na rua , já gritei de felicidade , já roubei rosas num enorme jardim .

Já me apaixonei e achei que era para sempre , mas sempre era um "para sempre "pela metade.

Já deitei na grama de madrugada e vi a lua virar sol , já chorei por ver amigos partindo , mas descobri que logo chegam novos , e a vida é mesmo um ir e vir sem razão.

Foram tantas coisas feitas , momentos fotografados pelas lentes da emoção , guardados num baú chamado coração.

E agora um formulário me interroga , me encosta na parede e grita : "Qual sua experiência ?" Essa pergunta ecoa no meu cérebro : experiência...experiência...Será que ser plantador de sorrisos é uma experiência ? Não ! Tavez eles não saibam ainda colher sonhos ! Agora gostaria de indagar uma pequena coisa para quem formulou esta pergunta : "Experiência

terça-feira, 18 de maio de 2010

"O desejável envolvimento dos jovens"

"Manter a eterna juventude ,é não ter medo de começar algo novo com medo de não terminar".

(texto de 1990-autor desconhecido)



A vida nos reserva emoções extraordinárias a cada curva do destino.

A velocidade que os tempos modernos impõe , todavia impede a indispensável parada para refletir sobre tais emoções e principalmente , sobre os fatos e pessoas nelas envolvidas.

Eis aí um problema sério , porque , a medida que atropelamos sentimentos em benefício da atividade profissional , por mais trepidamente que ela seja , é possível que , ao final da caminhada , tenhamos armado maravilhosas construções , porém desabitadas.

A luta que o trabalho e as obrigações determinam frequentemente nos afasta dos amigos , nos inibe o cultivo das relações humanas que mais gratificam.



É para essa mocidade , em cuja capacidade de determinação depositamos nossas esperanças , que coisas devem ser enfatizadas.



A primeira delas é que a juventude tem como bandeira natural a incessante busca da liberdade , da justiça e do amor.

Assim , é possível manter-se a juventude eternamente , desde que mantenha desfraldada tal bandeira.E desde que nunca se desista de iniciar alguma nova empreitada sob a alegação de que não haverá tempo de terminá-la.



A segunda me foi ensinada por um velho amigo , Rui de Oliveira , mestre das coisas da vida , então diretor Administrativo da Secretaria da Agricultura de São Paulo.Ele dizia que "A experiência é a soma dos fracassos ". Assim , o jovem não deve temer a experiência dos mais velhos , até porque ela é sempre a cicatriz dos desastres e dos revezes , e dói. Deve , isto sim , respeitar essa experiência como se respeitam os feridos nas guerras em defesa das boas causas , procurando aprender com eles como evitat ferir-se.



A terceira é sobre o erro.Errar é consequência da decisão e portanto não há porque envergonhar-se do erro , se involuntário.Pior , muito pior , é a omissão e não decidir , por medo do erro.Porque isso faz do homem o objeto da vida e não seu sujeito , o que é , no mínimo uma renuncia pouco recomendável.



A quarta é sobre a brevidade da existência . A lição porém pode ter uma interpretação nova : a de que cada segundo deve ser vivido intensamente.Não como se fosse o último , o que seria angustiante ; mas como se fosse o primeiro de todos , a revelação dos outros , a semeadura do que se colherá mais a frente.E assim também , pode-se escapar do mais negativo dos sentimentos , que é a saudade. Porque saudade é o espaço não ocupado na hora certa.O indivíduo que aos 60 anos gostaria de voltar aos 20 anos não fez aos 20 o que deveria ter feito.Ficou um vácuo.Não viveu tudo na hora certa.Bom é a nostalgia do passado , lembrar com prazer de tudo o que se fez , e não a desesperante ansiedade de voltar , que a saudade representa tão diretamente.



A quinta e última , é outra lição de Rui de Oliveira : "Quando você estiver subindo na vida , trate bem a todos que encontrar , porque você vai encontrá-los de novo quando estiver descendo", dizia o grande amigo de cuja companhia a louva atividade me privou.



Rui de Oliveira , morreu , nesse dia nascia em nós , a alegria reafirmada que um dia poderemos repetir e passar aos jovens do mundo , seu ensinamentos e tenho certeza de que para encerrar esse artigo ele ensinaria : "Mais vale passar a vida construindo um barracão de zinco e nele viver envolto de calor humano , do que edificar um palácio de ouro , vazio de emoções".

Metade

Metade

(Osvaldo Montenegro)

Composição : Osvaldo Montenegro


Que a força do medo que tenho

Não me impeça de ver o que anseio


Que a morte de tudo em que acredito

Não me tape os ouvidos e a boca

Porque metade de mim é o que eu grito

Mas a outra metade é silêncio.


Que a música que ouço ao longe

Seja linda ainda que tristeza

Que a mulher(homem) que eu amo seja pra sempre amada(o)

Mesmo que distante

Porque metade de mim é partida

Mas a outra metade é saudade.


Que as palavras que eu falo

Não sejam ouvidas como prece e nem repeditas com fervor

Apenas respeitadas

Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos

Porque metade de mim é o que ouço

Mas a outra metade é o que calo.


Que essa minha vontade de ir embora

Se transforme na calma e na paz que eu mereço

Que essa tensão que me corrói por dentro

Seja um dia recompensada

Porque metade de mim é o que penso

Mas a outra metade é um vulcão.


Que o medo da solidão se afaste ,é que o convívio comigo

mesmo se torne ao menos suportável.


Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso

Que eu me lembro ter dado na infância

Por que metade de mim é a lembrança do que fui

A outra metade eu não sei.


Que não seja preciso mais do que uma simples alegria

Pra me fazer aquietar o espírito

E que o teu silêncio me fale cada vez mais

Porque metade de mim é abrigo

Mas a outra metade é cansaço.


Que a arte nos aponte uma resposta

Mesmo que ela não saiba

E que ninguém a tente complicar

Porque é preciso somplicidade pra fazê-la florescer

Porque metade de mim é platéia

E a outra é canção.


E que a minha loucura seja perdoada

Porque metade de mim é amor

E a outra metade também.